Carreira
Menopausa também é uma questão de carreira
Um estudo publicado em 2026, realizado com 2.035 mulheres de 40 a 60 anos em 12 países da América Latina, encontrou uma associação entre maior intensidade dos sintomas da menopausa e pior satisfação no trabalho e qualidade de vida profissional.
Os achados não estão isolados. Uma revisão sistemática publicada em 2025, que reuniu 29 estudos, concluiu que sintomas da menopausa, especialmente psicológicos e vasomotores, além da pior qualidade do sono, estão associados à menor produtividade durante o trabalho.
Uma pesquisa do CIPD com mais de 2 mil mulheres no Reino Unido acrescenta outra dimensão: entre aquelas que haviam vivenciado sintomas da menopausa, 67% relataram impacto predominantemente negativo no trabalho e 27% disseram que a menopausa prejudicou sua progressão profissional. Dificuldade de concentração e aumento do estresse estavam entre os efeitos mais relatados.
Mas há um ponto importante: essa discussão não pode colocar sobre a mulher toda a responsabilidade de continuar trabalhando como se nada estivesse acontecendo.
O ambiente também importa. Flexibilidade, possibilidade de adaptações e abertura para falar sobre menopausa estão entre as medidas apontadas como relevantes para oferecer suporte a quem atravessa essa fase.
Reconhecer esses impactos não significa associar menopausa à perda de competência. Significa entender que saúde e carreira não existem separadamente.
Falar sobre longevidade feminina também é falar sobre as condições para que mulheres continuem crescendo, liderando e ocupando espaços em todas as fases da vida.