Saúde
Você não está apaixonada. Você está em limerência.
É fácil chamar isso de paixão. É fácil chamar isso de "finalmente voltei a viver". A neurociência, no entanto, faz um alerta que vale a pena ouvir antes de trocar uma prisão antiga por outra.O nome técnico desse estado, recentemente detalhado pela BBC, é limerência. E ele não descreve amor: descreve um sequestro emocional involuntário. O neurocientista Tom Bellamy explica que se trata de uma obsessão neurobiológica em que o cérebro confunde liberdade recém-conquistada com vício. Não é sobre a outra pessoa. É sobre a descarga de dopamina que um cérebro emocionalmente faminto, depois de meses ou anos sem prazer relacional, finalmente recebe e à qual passa a se agarrar como se fosse oxigênio.
O risco é específico da mulher madura saindo de um ciclo longo: a fome afetiva está em outro patamar. Quem passou pelo deserto de um divórcio cinza, ou pelo silêncio progressivo de um casamento que esfriou em câmera lenta, sente a primeira gota como tempestade.
A diferença entre limerência e amor maduro não está na intensidade do começo está na fisiologia do depois. O amor maduro acomoda o silêncio, suporta a ausência, observa a pessoa real. A limerência precisa do estímulo constante, entra em abstinência sem mensagem, e idealiza tanto que recusa enxergar quem está do outro lado.
Você já se sentiu refém da limerência, ou conhece alguém que está presa nesse ciclo?